Crónicas 

Tarde de Turismo em Moribane

O II Conselho Coordenador do MITUR constituiu uma ocasião de reflexão e de balanço do desempenho do sector e do MITUR como instituição governamental que traçar as estratégias de desenvolvimento do turismo no País e de velar pelo cumprimento dos planos traçados pelo Governo. 

No entanto, constitui também uma boa ocasião para que os técnicos do sector pudessem ter uma oportunidade de praticar o turismo e conheceram o País real. A deslocação de e para a cidade de Chimoio realizou-se via terrestre. 
Partindo de Maputo na manhã do dia 25, a comitiva pernoitou em Vilanculos e só chegou a Chimoio na tarde do dia 26 para iniciar os trabalhos no dia seguinte. Para os que nunca tinham realizado este percurso, a viagem constitui uma autêntica aventura turística (No Ministério temos gerações do pós `80 que nunca soube que antes da guerra Moçambique era transitável de lés a lés por via terrestre) a repetir tantas vezes quanto possível. Afinal, provou-se que era possível e agradável praticar o turismo nacional. Condições infra-estruturais existem. Precisam é de serem consolidadas e exploradas da melhor forma possível com pessoal habilitado e capaz. 
E isto depende sobretudo dum enorme esforço na área de formação a nível local e de sensibilização sobre a actividade turística e das exigências do homus chamado turista.
Mas para além desta fantástica viagem terrestre o II Coordenador do MITUR brindou os participantes com uma tarde de aventura na Reserva Florestal de Moribane, 42 Km da sede Administrativa do Distrito de Sussundenga e parte da recém proclamada Reserva de Chimanimani.
Para além de SEXA o Ministro do Turismo, deslocou-se a Moribane o Governador da província, Soares Nhaca. 
Cerca das 8:30 Horas a comitiva partiu da cidade de Chimoio as 9:30 Horas já estava na Ponte de Deus, obra de Deus para alguns obra da natureza para outros, a verdade é que a Ponte de Deus desde que se recusou a sofrer qualquer tipo de humanização paisagística, ruindo-se à tal tentativa, segundo relatos populares locais, há séculos que está de pé em cal separando os rios Muchonje e Tava e permitindo a ligação entre Sussundenga e Dombe. A escassos metros da Ponte presenciamos a cerimónia tradicional e sagrada (desde 1950 que a floresta de Moribane foi proclamada floresta sagrada de uso e valor histórico natural) de cerca de 20 minutos orientada pelos régulos Mpunga e Chikwizo. Uma cerimónia de benção aos visitantes e apaziguamento para com os espíritos locais. Nada mau para qual alma visitante que queira sentir-se segura e consolar-se da aventura. Durante cerca de 45 minutos embrenhamo-nos pela floresta através da Picada dos Elefantes, uma Picada que faz inveja a qualquer "piloto" habituado a chanfrudar-se com as covas citadinas. A quantidade de excremento do elefante ao longo da Picada denuncia claramente que Moribane é um habitat preferencial dum dos nossos "big five". Grande pena! Não houve oportunidade de avistar algum ou ouvir algum batendo os seus "cobertores." Teria sido uma boa ocasião para pôr em prática a mini-aula dada pelo fiscal da floresta sobre as instruções de fuga perante a proximidade do respeitoso mamífero. 
Após uma considerável caminhada fez-se meia vota para o ponto de partida e a caminho do acampamento principal improvisado na própria floresta para receber os ilustres turistas. Boas vindas foram dadas ao local pelo Administrador do Distrito. SEXA o Governador de Manica, SEXA o Ministro do Turismo também usaram da palavra em seguida. Por fim o régulo Mpunga fez questão de agradecer a presença dos ilustres. 
Ainda era manhã. A ocasião justificou um bom café da manhã com os nativos enquanto se esperava pelo almoço. Para os nativos, o espaço justificou também uma oportunidade para demonstrar que não era apenas a sacro-floresta que pode atrair o turismo em Moribane, mas também a dança, a cultura do povo Ndau e Sena através da dança Gizingire ou o Muchalate. Uma expressão cultural fortemente enraizada e irresistível para qualquer turistas que adora o turismo cultural. Entre nós, havia vários, é claro. A avaliar pelas ramificações históricas da mudança do Império de Gaza do Centro do País para Manjacaze no Sul do País, pode se afirmar que a dança Gizingire é uma versão mais ou menos elaborada do Xigubo praticado no Sul com a diferença de que esta só é executada por homens enquanto que no Gizingire, a mulher desempenha um papel fortemente activo. Não será por acaso que o nosso jurista, Neto Matessane, que por sinal é de Manjacaze, demonstrou ser um exime executante. 
O Gizingire só foi interrompido porque os manjares para o almoço já estavam prontos, manjares esses que pareciam dos Deuses locais. O sabor era irresistível. Pena não termos tido oportunidade de saborear um prato e uma bebida típicas locais. Esta ainda estava a fermentar. A comunidade enganara-.se nas datas da chegada dos "turistas". A fermentação só terminaria no dia seguinte.
Findo o almoço, despedimo-nos solitariamente dos nossos anfitriões a caminho de Chimoio. Os mais idosos, despediram-nos pela língua Changana. Feliz coincidência, afinal era possível uma comunicação através das nossas línguas nacionais. As explicações não demoraram a surgir. Aqueles "velhotes" tinham trabalhado nas minas sul africanas e foi lá que a maior parte aprendeu a expressar-se em Changana. E assim foi uma tarde turística em Moribane. Entre nós, ficou a sensação que lá voltaríamos em ocasiões propícias e para um turismo cultural e de aventura mais programado.