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Generalidades sobre Moçambique

Situação Geográfica
Costa sul-oriental de África
Paralelos 10°.27'e 26°.52' Latitude Sul
Meridianos 30°. 12'e 40°51' Longitude Este.

Área e Limites
Superfície Total: 799.380 Km2
Superfície de terra firme: 786.380km2
Superfície em águas interiores: 13.000 Km2

Limites
Extensão da fronteira terrestre: 4.330 Km
Fronteira Norte: República Unida da Tanzânia (800 Km)
Fronteira Oeste (sentido Norte Sul): 3445 Km
Malawi
Zâmbia
Zimbabwe
República da África do Sul (Província do Transvaal
Reino da Swazilândia
Fronteira Sul: República da África do Sul (Província do Natal) -85 Km
Fronteira Leste: Oceano Índico
Comprimento da Linha Costeira: Foz do Rio Rovuma (Norte) - Ponta do Ouro (sul) 2515Km
Menor Largura Interior- Costa: Namaacha - Catembe (Alto Farol) - 47,5 Km
Maior Largura Interior-Costa: Península de Mossuril - Confluência rio Arângua com o rio zambeze

Climatologia

Condicionantes Climatéricos
Norte: Regime de Monções
Sul: Influência de centros ciclónicos e anticiclónicos
Centro: Zona de Transição

Zonas Climatéricas 

Tropical húmido: Norte do País e toda a zona costeira
Tropical seco: Interior - Sul e Província de Tete
Zonas climatéricas modificadas pela altitude -Certas áreas de Tete, Manica, Niassa.
Tropical Árido - Reduzida Área do interior de Gaza

Temperaturas

Época Seca (Maio -Setembro): 18, 3° C - 20,0°C
Época Chuvosa ((outubro - Abril): 26,7°C - 29,4°C


Orografia: 4 zonas distintas de elevação

Zona Litorânia - até 200 metros

Cobre 40% do País

Envolve quase todo o Sul do rio Save, uma faixa ao longo da costa no sentido SW-NE e o prolongamento no trecho N-S do litoral.

Geologia: 2 Zonas principais

Zona de Terrenos Antigos(2/3 da área territorial): Norte do Save
Zona de Terrenos Recentes: faixa litoral, centro do País, orla costeira da região Norte.

Zona de Planaltos Médios - 200 a 600 metros

Cobre 17% do País
Compreende: Planaltos dos Macondes (Cabo Delgado), regiões de Nampula, Cheringoma e Chemba, dunas no interior de Inhambane, cadeia dos Libombos a Sul

Zona Altiplanáltica - 600 a 1000 metros

Cobre cerca de 26%
Situa-se no interior, sobretudo na fronteira entre Manica e Sofala, nas regiões de Maniamba, Malema e Ribaué

Zona montanhosa - Acima do 1000 metros

Representa 13 %
Zona da fronteira terrestre e ao longo da zona altiplanáltica
Pontos mais altos:
Maciço de Massururero na escarpa de Manica e Sofala -2436 metros 
Picos Namuli na Cadeia Chire Namuli - 2419 metros
Serra de Gorongosa 2000 metros

Outras Elevações Relevantes

Cadeia do Libombos a Sul
Escarpa de Manica e Sofala (Espungabera, Chimanimani, vumba, Penhalonga, Massussurero)
Planalto da Marávia -Angónia
Cadeia Chire- Namuli (Montes de Milange, Serras Chiperone e Murrumbula, Picos Namuli e de Gurué)
Cadeia Maniamba-Amaramba (cordilheira Jéci, Montes da Metónia, Serra Mitúmué) 

Hidrografia

As águas escoam num sentido único par o ocenao Índico
A pluviosiodade no Norte e Centro do País origina muitos curso de água
O clima tropical do País faz variar constantemente o caudal dos rios que dão origem às cheias nos meses de Janeiro e Março.
A maioria dos rios não são navegáveis com grandes embarcações
Zambeze, Limpopo e Incomati e o rio dos Bons Sinais: únicos rios navegáveis em algumas dezenas de Kilómetros.
Principais Rios

Zambeze - 820 Km
Rovuma - 650 Km
Lúrio - 605 Km
Mesalo- 530 km
Licungo- 336 Km
Save- 330 Km
Buzi- 320 Km
Maputo- 150 Km

Resumo Histórico

Período Pré-colonial
Os primitivos povos de Moçambique eram bosquímanos caçadores e recolectores. As grandes migrações entre 200/300 DC dos povos Bantu de hábitos guerreiros e oriundos dos Grandes Lagos, forçaram a fuga destes povos primitivos para as regiões mais pobres em recursos.
Antes do séc. VII, foram estabelecidos Entrepostos comerciais pelos Suahil-árabes na costa para trocar produtos do interior, fundamentalmente ouro e marfim por artigos de várias origens.

Penetração Colonial 
No final do séc. XV há uma penetração mercantil portuguesa, principalmente pela demanda de ouro destinado à aquisição das especiarias asiáticas. 
Inicialmente, os Portugueses fixaram-se no litoral onde construíram as fortalezas de Sofala (1505), Ilha de Moçambique(1507). Só mais tarde através de processos de conquistas militares apoiadas pelas actividades missionárias e de comerciantes, penetraram para o interior onde estabelecerem algumas feitorias como a de Sena (1530), Quelimane (1544). O propósito, já não era o simples controlo do escoamento do ouro, mas sim de dominar o acesso às zonas produtoras do ouro. Esta fase da penetração mercantil é designada de fase de ouro. As outras duas últimas por fase de marfim e de escravos na medida em que os produtos mais procurados pelo mercantilismo eram exactamente o marfim e os escravos respectivamente. O escoamento destes produtos acabou sendo efectivado através do sistema de Prazos do vale do Zambeze que teriam constituído a primeira forma de colonização portuguesa em Moçambique. Os prazos eram uma espécie de feudos de mercadores portugueses que tinham ocupado uma porção de terra doada, comprada ou conquistada. A abolição do sistema prazeiro pelos decretos régios de 1832 e 1854 criou condições para a emergência dos Estados militares do vale do Zambeze que se dedicaram fundamental ao tráfego de escravos, mesmo após a abolição oficial da escravatura em 1836 e mais tarde em 1842. No contexto moçambicano as populações macúa-lómué foram as mais sacrificadas pela escravatura. Muitos deles foram exportadas para as ilhas Mascarenhas, Madagáscar, Zanzibar, Golfo Pérsico, Brasil e Cuba. Até cerca de 1850, Cuba constituía o principal mercado de escravos Zambezianos.
Com o advento da conferência de Berlim (1884/1885), Portugal foi forçado a realizar a ocupação efectiva do território moçambicano. Dada a incapacidade militar e financeira portuguesa, a alternativa encontrada foi o arrendamento da soberania e poderes de várias extensões territoriais a companhias majestáticas e arrendatárias. Companhia de Moçambique e a Companhia do Niassa são os exemplos típicos das companhias majestáticas. Companhia da Zambézia, Boror, Luabo, sociedade do Madal, Empresa agrícola do Lugela e a Sena Sugar Estates perfazem o exemplo des de companhias arrendatárias. O sistema de companhias foi usado no Norte do rio Save. E, estas dedicaram-se principalmente a uma economia de plantações e um pouco do tráfego de mão de obra para alguns Países vizinhos. O Sul do Rio Save (províncias de Inhambane, Gaza e Maputo) ficaram sob administração directa do Estado colonial. Nesta região do País foi desenvolvida basicamente uma economia de serviços assente na exportação da mão de obra para as minas sul-africanas e no transporte ferro-portuário via Porto de Maputo. Estada divisão económica regional explica a razão da actual simetria de desenvolvimento entre o Norte e o Sul do País.
A ocupação colonial não foi pacífica. Os moçambicanos impuseram sempre lutas de resistência com destaque para as resistências chefiadas por Mawewe, Musila, Ngungunhane, Komala, Kuphula, Marave, Molid-Volay e Mataca. Na prática a chamada pacificação de Moçambique pelos portugueses só se deu no já no séc. XX.

A Luta pele Independência
A opressão secular e o colonial fascismo português acabaria por obrigar o Povo moçambicano a pegar em armas e lutar pela independência. A luta de libertação Nacional, foi dirigida pela FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique). Esta organização, foi fundada em 1962 através da fusão de 3 movimentos constituído no exilo, nomeadamente, a UDENAMO (União Nacional Democrática de Moçambique), MANU (Mozambique African National Union) e a UNAMI (União Nacional de Moçambique Independente). Dirigida por Eduardo Chivambo Mondlane, a FRELIMO iniciou com a luta de libertação Nacional a 25 de Setembro de 1964 no posto administrativo de Chai na província de Cabo Delgado. O primeiro presidente da FRELIMO, Eduardo Mondlane, acabaria por morrera assassinado a 3 de Fevereiro de 1969. A ele sucedeu Samora Moisés Machel que proclamou a independência do País a 25 de junho de 1975. Machel que acabou morrendo num acidente aéreo, ainda por explicar, em M'buzini, vizinha África do Sul acabou sendo sucedido pelo actual presidente da República, Joaquim Alberto Chissano.
A partir do início dos anos `80, o País viveu num conflito armado dirigido pela RENAMO (Resistência Nacional de Moçambique) apoiada pela regime sul africano do Apartheid. O conflito que ceifou muitas vidas e destrui muitas infra-estruturas económicas só terminaria em 1992 com a assinatura dos Acordos Gerais de Paz entre a FRELIMO e a RENAMO. Em 1994 o País realizou as suas primeiras eleições multipartidárias ganhas pela FRELIMO que voltou a ganhar as segundas realizadas em 2000. Em Outubro de 2004, o País vai realizar as suas terceiras eleições multipartidárias. 

Economia

Moçambique independente herdou uma estrutura económica colonial caracterizada por uma assimetria entre o Norte e o Sul do País e entre o campo e a cidade. O Sul mais desenvolvido que o Norte e a cidade mais desenvolvida que o campo. A ausência duma integração económica e a opressão extrema da mão de obra constituíam as características mais dominantes dessa assimetria.
A estratégia de desenvolvimento formulada para inverter esta assimetria apostou numa economia socialista centralmente planificada. No entanto, as conjunturas regional e internacional desfavoráveis, as calamidades naturais e um conflito militar interno de 16 anos inviabilizaram a estratégia. O endividamento externo (cerca de 5,5 biliões em 1995) obrigou o País a uma mudança radical para uma estratégia de desenvolvimento do mercado filiando-se nas Instituições de Bretton Woods e a consequente adoptação dum Programa de Ajustamento Estrutural, a partir de 1987. Desde então, o País tem estado a registar um notável crescimento económico. O Produto Interno Bruto (PIB) tem estado a crescer numa média acima de 7-8% ao ano, chegando mesmo a atingir níveis de 2 dígitos. A inflação está abaixo de 10%. A tendência é mantê-la em um dígito. Em termos monetários, Moçambique possui um dos regimes cambiais mais liberalizados de África. Os parceiros comerciais externos têm motivos suficientes para inspirarem uma grande confiança pelo País face à capacidade que as autoridades monetárias têm conseguido manter volumes adequados de meios de pagamento sobre o exterior. As reservas externas do Banco Central têm estado a situar-se acima dos seis meses de importação de bens e serviços.
O Estado, através da execução da sua política orçamental regula e dinamiza as áreas sócio-económicas mais importantes e cria um bom ambiente de negócios muito favorável ao desenvolvimento da iniciativa privada. As reformas jurídicas no âmbito da legislação financeira, fiscal, laboral, comercial e da terra levadas acabo pelo Governo contribuem significativamente para fortalecer esse bom ambiente com a respectiva atracção do investimento privado nacional e externo. 
O potencial económico do País para a atracção de investimentos na agro-industria, agricultura, turismo, pesca e mineração é enorme. Projectos como o da Mozal, Barragem de Cahora Bassa, Corredores Ferro-Portuários e Complexos Turísticos ao longo de todo o País têm contribuído significativamente para colocar Moçambique na rota dos grandes investimentos regional e internacional.
Apesar do notável crescimento económico que o País vem registando, muitos moçambicanos continuam vivendo abaixo da linha da pobreza. O combate à pobreza absoluta constitui uma das grandes prioridades do Governo para o quinquénio 2001-2005. Para o efeito foi traçado um Plano de Acção da Redução da Pobreza Absoluta (PARPA) visando essencialmente transformar a dívida externa num instrumento de promoção de desenvolvimento económico e social do País.

População de Moçambique

Origem : Bantu

  • População Total: 16.840.654 (1999)
  • População masculina: 8.083.085 (48%)
  • População feminina: 8.757.569 (52%)

População por Província

Província

População Total

Homens

Mulheres

%/País

Zambézia

3.240.576

1.570.491

1.670.08

19,2

Nampula

3.196.472

1.589.608

1.606.864

19,0

Sofala

1.424.378

693.724

730.654

8,5

C. Delgado

1.436.496

695.697

740.809

8,5

Tete

1.256.237

603.277

652.960

7,636

Inhambane

1.222.219

539.060

683.159

7,3

Manica

1.103.857

528.980

574.877

6,6

Gaza

1.173.337

505.425

663.912

6,9

Maputo

1.896.597

916.166

980.431

11,2

Niassa

848.889

416.138

432.751

5,0

Grupos Étnicos

Povos Matrilineares

Povos Patrilineares

Simbiose dos dois povos

Yao

Shona

Chuabo

Maconde

Tsonga

Sena

Macua

Chopi

Nyungue (vale do Zambeze)

Lómué

Bitonga

Mwani (zona costeira de influência islâmica)

Chewa

Nguni

Maelos (zona costeira de influêncai islâmica)

Nyanja

- -

Nsena

- -

Pimbine

- -

Línguas

  • Língua oficial: Português

Línguas Nacionais

Línguas

Falantes (%)

Províncias

Macua

27,7

Nampula/Delgado/Niassa

Changana

12,4

Gaza/Maputo Província/ Maputo cidade

Sena

9,3

Manica/Sofala/Tete/Zambézia

Lomwe

7,8

Zambézia

Shona

6,5

Manica/Sofala

Tswa

5,9

Inhambane/

Chuabo

5,7

Sofala/Zambézia

Ronga

3,6

Maputo província/Maputo Cidade

Marandje

3,4

Zambézia

Nyanja

3,3

Niassa/Tete

Chope

2,8

Gaza/Inhambane/

Mwani

2,8

C. Delgado

Nyungwe

2,2

Manica/Tete

Maconde

1,9

C. Delgado

Bitonga

1,9

Inhambane

Yao

1,9

Niassa

Religião

  • Cristianismo: Catolicismo e protestantismo (30%)

  • Islamismo: Norte do País (20%)

  • Cultos tradicionais: (50%)

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